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terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Conto 03 - Cascos e redomas ao nosso redor

Quando você me falou que estava com síndrome do pânico, fiquei pensando nisso… Você está é com medo das pessoas não aprovarem o que tem feito. Pois, eu te digo que a cabeça da gente é um labirinto. A gente não tem quase nada e se desespera com as merdas que faz. Tenta imaginar perder tudo o que tem, prejudicar um monte de gente, se reestruturar emocional e financeiramente, e conseguir, dar a volta por cima de si mesmo tendo apenas a fé em Deus e no poder da mente! Entretanto, uma coisa despertou uma curiosidade em mim e me fascinou, aquele olhar. Se tiveram tantos outros olhares que nos reergueram porque me prender a este? Este é o olhar que supõe ser fascinante, encantador, perturbador, que nos reprime e sempre grita “Para, está indo longe demais isso não é pra você!” Dispara tiros nas nossas asas e até enxerga alguma semelhança entre nós e Madre Tereza de Calcutá rss… Este olhar julgador tem voz e ouvidos afiados e permanece em silêncio na espreita de um momento certo para dar seus (tapas) de luvas. Ele tem livre arbítrio para fazer o que quiser até se intrometer onde não é chamado. Com certeza ele desconhece sobre a Lei de Pareto: Foca só nos 20% que irão te render 80% de retorno real. Pensando melhor, ele criou a lei do Dispareto: Foca nos 20% que irão render 80% de disparos negativos “Então, não desgasta… quando perceberem o que realmente está fazendo, quando vierem te visitar irão se assustar, porque você só precisou do olhar celestial e de mais ninguém”. Cheguei a pensar que seria bem assim. Quanta ingenuidade a minha, é claro que um olhar sem piedade nunca desiste, está sempre vivo, conectado. “Oi! Percebo que você publica postagens esperando receber emoticons e aplausos. Se toca, só estou falando isso porque estou tentando te ajudar. A maneira como você ri, se veste demonstrando total felicidade, humilha as amigas”.


imagem da internet
Meu Deus! Em determinados momentos, os cascos e as redomas crescem simultaneamente ao nosso redor e nem percebemos. Repito: os cascos e as redomas crescem simultaneamente ao nosso redor e nem percebemos. Só de imaginar que uma das coisas que li ontem foi: “Peça a opinião de alguém sobre você.” Rsss… Coincidência ou destino, esse momento aconteceu estava lá escrito na palma da minha mão. Até me sinto mais aliviada. Vou ler e reler estas dicas e, porque não dizer, conselhos. Reorganizar minhas atitudes, meus comportamentos, rever meu figurino e procurar uma colônia de férias de formigas. Estes pequenos insetos são sociáveis vivem em plena comunidade, dependem e protegem uns aos outros. 
Conto 03 - Cascos redomas  ao nosso redor 
Por: Cleusa Rodrigues
Volta Redonda-RJ

04/01/2022

O que eu faço é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.

Madre Teresa de Calcutá

 

 

sábado, 1 de janeiro de 2022

Conto 02 - Intimação equivocada???

 O atendente observa a mulher entrar calmamente na delegacia, se aproximar do balcão, abrir a bolsa e retirar um papel timbrado escrito, intimação. Imediatamente o rapaz lhe deseja uma boa tarde e oferece ajuda. A mulher agradece e mostra a correspondência que encontrara na caixa dos correios logo que chegou do trabalho naquela tarde e dispara. “Olha as datas! O que falar delas? Veja você mesmo.” A correspondência está datada como se ainda fosse escrita depois de amanhã. A assinatura e data de despacho são de amanhã e já recebi a intimação hoje. Porque estou sendo intimada, numa cidade que nem moro nela? O atendente coçou a ponta da orelha, reconheceu a letra e foi chamar o Nonato que compareceu ao balcão de atendimento e foi logo explicando. Desculpe senhora. Ontem compareceram aqui na DP dois adolescentes prestando queixas de maus tratos a um idoso. Imediatamente enviamos uma viatura até a residência. Ao chegar no local indicado, encontramos o provável agredido sentado na varanda de casa sozinho degustando uma laranja. Ao ser arguido sobre suposta agressão, o mesmo, desmentiu alegando estar bem de saúde, lúcido e que os adolescentes eram netos dele e que haviam ido até à cidade tomar sorvetes e depois iriam à cidade vizinha fazer um pedido muito especial pra uma tia. A viatura deixou os jovens em casa e retornou à delegacia. Averiguamos que os adolescentes gastaram todo o dinheiro na sorveteria e sem condições de voltar para casa ficaram perambulando, se depararam com a DP e resolveram fazer uma queixa e faturar uma caroninha de volta pra casa. Peraltices de crianças.

imagem da internet
Já a intimação é outra história. Durante a conversa, eles falaram que realmente estavam com saudades da tia, ela e o avô não se entendiam muito bem. Os dois eram muito geniosos. Daí deixei rolar a intimação. Imaginei que pela confusão das datas a senhora conseguiria um tempo na agenda e compareceria imediatamente ao departamento. Por acaso a senhora precisa de uma carona numa viatura para cumprir esta equivocada intimação?

Conto 02 - Intimação equivocada???
Por: Cleusa Rodrigues
Volta Redonda-RJ
01/01/2022

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Conto 01 - Três mulheres e um bicho-papão

Era noite. No barraco de madeiras mãe e duas filhas já estavam dormindo. O marido, caminhoneiro percorria as estradas da vida enquanto naquele mesmo momento, tapinhas na porta e uma voz bêbada pediam para entrar. A filha mais velha tinha quatro anos, acorda assustada e com medo, abraça sua irmãzinha ainda bebê. A mãe tenta acalmá-la, afirmando que era apenas um sonho com o bicho-papão, volte a dormir. O tom da voz do bicho-papão era igual a do tio bêbado. Mãe e filha fizeram uma promessa, de que nunca contariam a ninguém que o bicho-papão as aterrorizava imitando a voz bêbada do tio. Os anos se passaram e o bicho-papão insistia, mas, a porta nunca se abria, mãe e filha mantinham o segredo.


Naquela noite, ninguém ouviu o barulho do caminhão chegando, o pneu, furou bem longe dali. Sem imaginar o perigo, bicho-papão estava lá imitando a voz do tio e dando tapinhas na porta. O marido gostava de caminhar assoviando e quando o bicho-papão reconheceu o assovio, saiu correndo pelo matagal que rodeava o barraco. O caminhoneiro viu o bicho-papão e não o reconheceu e tentou em vão correr atrás dele. Assustada, a filha presenciou pedidos de explicações, brigas, palavrões, socos na mesa, a mãe chorando desesperada, aflita, aterrorizada. A natureza cuidou de engrossar o caldo. Por mais que a mulher fosse correta, o marido não aceitou de bom grado a gravidez e passou a ficar mais tempo com seu caminhão nas estradas.
A mãe deu à luz a caçulinha. Doze anos e muitas brigas se passaram. Caçulinha percebia uma certa frieza no pai. Numa das brigas, Caçulinha escutou o pai mencionar uma suposta traição, a mãe nega a todo momento diz que prefere morrer a ter que conviver com tamanho desprezo. Desesperada entra pro quarto pega o revólver do marido na cabeceira da cama e tenta se matar. Caçulinha impede que a mãe cometa o fatídico ato e procura a irmã mais velha, já casada, e conta o acontecido. A verdade foi revelada. A irmã mais velha cresceu e descobriu que o bicho-papão não imitava a voz do tio, ele, na verdade, era o cunhado alcoólatra do pai que vivia uma paixão avassaladora por uma mulher que nunca lhe abriu a porta. O caminhoneiro jamais descobriu quem havia perseguido naquela noite. O bicho-papão morreu ainda jovem deixando esposa e filhos. Essa é a história de três mulheres marcadas por um bicho-papão.

Conto 01 - Três mulheres e um bicho-papão
Por: Cleusa Rodrigues
Volta Redonda-RJ
29/12/2021